
Aumento de idosos na internet tem se mantido em torno dos 20% nos dois últimos anos
Há um mês, ou, mais exatamente, cinco aulas, que Dirce Sgai, de 72 anos, e o marido Aldo, 80 anos, estão aprendendo a usar a internet. O casal resolveu frequentar o Inece (Instituto Nacional de Educação e Cultura Estrutural) – instituição que dá aulas para pessoas de 9 a 90 anos, 90% para gente que já passou dos 60 anos – porque estava se sentindo desatualizado.
- Como hoje é tudo pela internet, a gente queria acompanhar o progresso das coisas para não ficar para trás.
Dirce conta que só agora na quinta aula é que começou a aprender a acessar a internet. Por isso, ela ainda não “sabe muito bem para que vai usar” a rede.
Os dois não são os últimos nem foram os primeiros idosos a descobrir a maravilha que é a internet. Segundo o analista de mídia do Ibope Nielsen Online, José Calazans, o crescimento do acesso à internet – revelado pela última PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) nesta quarta-feira (8) – tanto por idosos como por mulheres e crianças se deve ao aumento no acesso residencial, que tem se mantido em torno dos 20% nos últimos dois anos.
- Esse público não tem acesso à internet no trabalho, em LAN house ou em outros locais, só em casa.
Internet dá uma nova dimensão à vida de idoso
Para Ademir Lima, 60 anos, professor do Inece, toda essa procura começou a aumentar nos dois últimos anos, “por causa das notícias que apareciam na mídia e pela indicação de outros idosos”. Lima explica que muitos dos seus alunos resolvem aprender a usar a internet para perder o medo de quebrar o computador, aprender a lidar com vírus e hackers e, principalmente, para falar com familiares que moram fora do país, seja pelo Skype, seja pelo MSN (programa de mensagens instantâneas da Microsoft).
- Muita gente acaba fazendo novos amigos, reencontrando parentes que não via há muito tempo, abrindo as portas para o convívio eletrônico, dando uma nova dimensão a suas vidas.
Foi o caso de Maria Helena Landau, de 78 anos, que mora no Rio de Janeiro. Em 1995, quando a internet mal tinha acabado de ser liberada no país para uso comercial, ela ouviu alguém dizer que "quem não soubesse usar a internet até o ano 2000 seria um analfabeto digital". A dona de casa não perdeu tempo: matriculou-se em um curso em seu bairro logo depois. Hoje em dia, Maria Helena tem Orkut, adora pesquisar no Google e ler blogs, mas diz que já não gosta mais de usar o e-mail por achá-lo "monótono".
- Adoro rever meus netos que moram no sul no MSN. Minha filha, que me incentivou a usar a internet, só começou a usá-la há dois anos.
A paulista Berta Ferreira Machado Capuano, de 63 anos, quatro deles na internet, conta que não tem muita paciência com a máquina porque está com vírus ou demora muito e que só usa a rede para receber e enviar material de estudo para a professora de francês e para ler jornais da França, como o Le Monde.
- Só uso para ver coisas que me interessam, não para bater papo. Sou meio agitada, gosto de coisas objetivas. A internet tem pouca utilidade. Por isso, só leio notícias.
Para a aposentada fluminense Olga Maria Ruzzi Pedrozo, de 65 anos, que acessa a internet há apenas dois anos, a rede é “uma opção para ter o que fazer à noite”. Ela explica que, como mora em uma cidade pequena [Três Rios, na região do Vale Paraíba, no interior do Rio de Janeiro], usa a rede para conversar com os netos e com a filha que mora em São Paulo. Ela diz que não usa o Orkut porque “tem que mandar recadinho, é meio rotineiro”. Olga diz que se interessou pela internet quando passou a viver sozinha e que o passatempo de que mais gosta é a ferramenta mais básica da internet.
- Adoro receber e mandar aqueles e-mails com mensagens bonitas [geralmente em PowerPoint] e piadas, que ninguém é de ferro.
O que toda mãe quer é um Skype para ver como os filhos estão
A médica veterinária Cândida Maria Junqueira usa a internet há mais ou menos três anos por vários motivos. Um deles foi o medo de clicar algo no computador e apagar algo que os filhos tinham feito e levar bronca deles. Cândida conta que ficou com vontade de acessar a internet depois de ver amigos e jovens de sua cidade [Presidente Prudente, no interior de São Paulo] comentando e-mails trocados e principalmente por causa da ida de um filho para o México e de outros três para a capital paulista. O Skype mudou sua vida.
- Achei maravilhoso conseguir falar com eles e vê-los, que é o que toda mãe quer.
Cândida diz que tudo que sabe, aprendeu com os filhos. Dedicada, ela chegou até a comprar um pequeno caderno para anotar todas as lições, que usa até hoje nas horas em que tem dúvidas.
Já o produtor de TV aposentado Lafayette Hohagen, de 72 anos, que mora em Joanópolis, no interior de São Paulo, diz que usa a internet há mais ou menos oito anos. Dono de perfis no Orkut, no Facebook, no Twitter e no MySpace, o produtor aposentado conta que a internet foi "uma descoberta maravilhosa", tanto que cancelou a assinatura de jornais e revistas – hoje, lê tudo na tela do monitor do netbook, que fica 24 horas ligado. Hohagen explica que, graças ao Orkut, reencontrou muita gente que achava que não veria novamente na vida, como amigos de infância. Para ele, a internet significou o fim da solidão, ainda que sua mulher às vezes sinta um certo ciúme de vez em quando.
- Levo muita bronca dela por causa do Facebook a toda hora em que ela me chama e digo que já vou.
O analista do Ibope, José Calazans, explica que os dados da pesquisa do IBGE batem com os do Ibope e que a próxima tendência que deverá crescer bastante nos próximos anos é o acesso à internet pelos smartphones. Calazans conta que o crescimento mais forte no Norte do país, onde o acesso é menor porque há mais espaço para a rede crescer por lá – fenômeno parecido ao que aconteceu nas grandes capitais alguns anos atrás – agora se repete nesses locais mais distantes.
- Como hoje é tudo pela internet, a gente queria acompanhar o progresso das coisas para não ficar para trás.
Dirce conta que só agora na quinta aula é que começou a aprender a acessar a internet. Por isso, ela ainda não “sabe muito bem para que vai usar” a rede.
Os dois não são os últimos nem foram os primeiros idosos a descobrir a maravilha que é a internet. Segundo o analista de mídia do Ibope Nielsen Online, José Calazans, o crescimento do acesso à internet – revelado pela última PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) nesta quarta-feira (8) – tanto por idosos como por mulheres e crianças se deve ao aumento no acesso residencial, que tem se mantido em torno dos 20% nos últimos dois anos.
- Esse público não tem acesso à internet no trabalho, em LAN house ou em outros locais, só em casa.
Internet dá uma nova dimensão à vida de idoso
Para Ademir Lima, 60 anos, professor do Inece, toda essa procura começou a aumentar nos dois últimos anos, “por causa das notícias que apareciam na mídia e pela indicação de outros idosos”. Lima explica que muitos dos seus alunos resolvem aprender a usar a internet para perder o medo de quebrar o computador, aprender a lidar com vírus e hackers e, principalmente, para falar com familiares que moram fora do país, seja pelo Skype, seja pelo MSN (programa de mensagens instantâneas da Microsoft).
- Muita gente acaba fazendo novos amigos, reencontrando parentes que não via há muito tempo, abrindo as portas para o convívio eletrônico, dando uma nova dimensão a suas vidas.
Foi o caso de Maria Helena Landau, de 78 anos, que mora no Rio de Janeiro. Em 1995, quando a internet mal tinha acabado de ser liberada no país para uso comercial, ela ouviu alguém dizer que "quem não soubesse usar a internet até o ano 2000 seria um analfabeto digital". A dona de casa não perdeu tempo: matriculou-se em um curso em seu bairro logo depois. Hoje em dia, Maria Helena tem Orkut, adora pesquisar no Google e ler blogs, mas diz que já não gosta mais de usar o e-mail por achá-lo "monótono".
- Adoro rever meus netos que moram no sul no MSN. Minha filha, que me incentivou a usar a internet, só começou a usá-la há dois anos.
A paulista Berta Ferreira Machado Capuano, de 63 anos, quatro deles na internet, conta que não tem muita paciência com a máquina porque está com vírus ou demora muito e que só usa a rede para receber e enviar material de estudo para a professora de francês e para ler jornais da França, como o Le Monde.
- Só uso para ver coisas que me interessam, não para bater papo. Sou meio agitada, gosto de coisas objetivas. A internet tem pouca utilidade. Por isso, só leio notícias.
Para a aposentada fluminense Olga Maria Ruzzi Pedrozo, de 65 anos, que acessa a internet há apenas dois anos, a rede é “uma opção para ter o que fazer à noite”. Ela explica que, como mora em uma cidade pequena [Três Rios, na região do Vale Paraíba, no interior do Rio de Janeiro], usa a rede para conversar com os netos e com a filha que mora em São Paulo. Ela diz que não usa o Orkut porque “tem que mandar recadinho, é meio rotineiro”. Olga diz que se interessou pela internet quando passou a viver sozinha e que o passatempo de que mais gosta é a ferramenta mais básica da internet.
- Adoro receber e mandar aqueles e-mails com mensagens bonitas [geralmente em PowerPoint] e piadas, que ninguém é de ferro.
O que toda mãe quer é um Skype para ver como os filhos estão
A médica veterinária Cândida Maria Junqueira usa a internet há mais ou menos três anos por vários motivos. Um deles foi o medo de clicar algo no computador e apagar algo que os filhos tinham feito e levar bronca deles. Cândida conta que ficou com vontade de acessar a internet depois de ver amigos e jovens de sua cidade [Presidente Prudente, no interior de São Paulo] comentando e-mails trocados e principalmente por causa da ida de um filho para o México e de outros três para a capital paulista. O Skype mudou sua vida.
- Achei maravilhoso conseguir falar com eles e vê-los, que é o que toda mãe quer.
Cândida diz que tudo que sabe, aprendeu com os filhos. Dedicada, ela chegou até a comprar um pequeno caderno para anotar todas as lições, que usa até hoje nas horas em que tem dúvidas.
Já o produtor de TV aposentado Lafayette Hohagen, de 72 anos, que mora em Joanópolis, no interior de São Paulo, diz que usa a internet há mais ou menos oito anos. Dono de perfis no Orkut, no Facebook, no Twitter e no MySpace, o produtor aposentado conta que a internet foi "uma descoberta maravilhosa", tanto que cancelou a assinatura de jornais e revistas – hoje, lê tudo na tela do monitor do netbook, que fica 24 horas ligado. Hohagen explica que, graças ao Orkut, reencontrou muita gente que achava que não veria novamente na vida, como amigos de infância. Para ele, a internet significou o fim da solidão, ainda que sua mulher às vezes sinta um certo ciúme de vez em quando.
- Levo muita bronca dela por causa do Facebook a toda hora em que ela me chama e digo que já vou.
O analista do Ibope, José Calazans, explica que os dados da pesquisa do IBGE batem com os do Ibope e que a próxima tendência que deverá crescer bastante nos próximos anos é o acesso à internet pelos smartphones. Calazans conta que o crescimento mais forte no Norte do país, onde o acesso é menor porque há mais espaço para a rede crescer por lá – fenômeno parecido ao que aconteceu nas grandes capitais alguns anos atrás – agora se repete nesses locais mais distantes.
Fonte: R7
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