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quinta-feira, 24 de junho de 2010

• FORTALEZA: Desrespeito - Manifestantes obrigam usuários a descer de ônibus

Operação "recolhe chave", realizada pelos grevistas, deixou usuários dos terminais no meio do caminho

Parecia até romaria, mas as expressões de indignação das pessoas indicavam que não. Deixados no meio do caminho para o trabalho, centenas de pessoas continuaram o caminho a pé, ontem, pelas avenidas Universidade e Domingos Olímpio até o Centro. Mais uma vez, motoristas e trocadores abandonaram os veículos no meio do trajeto (ou foram obrigados a parar), em adesão à paralisação dos ônibus em Fortaleza, que chegou ao seu 16º dia.

Três veículos, que estavam estacionados na Domingos Olímpio, foram apedrejados pelos próprios passageiros, revoltados com a ação dos grevistas. Segundo a Empresa de Transporte de Fortaleza (Etufor), 90 veículos foram paralisados no local.

Sem saber como voltariam para casa, os passageiros foram obrigados a descer dos ônibus, sem receber de volta o dinheiro da passagem. A empregada doméstica Cícera Pereira se mostrava indignada com a atitude dos motoristas e trocadores. "Eu fui pedir o dinheiro da minha passagem de volta e eles reagiram agressivamente. O trocador gritou comigo e mandou eu me ´virar´. Ele me agarrou pela blusa", reclamou.

Grávida de oito meses, a operadora de telemarketing Daniele Maria Martins teve que ir andando da Avenida da Universidade, próximo à Reitoria da UFC, no Benfica, até o local de trabalho na Rua Pedro I, no Centro. "Não existe nem prioridade. O problema maior nem é ter que andar a pé, é não saber como vou voltar pra casa".

Os ônibus estacionados nas duas avenidas não prejudicou só os usuários do transporte coletivo. Em diversos trechos do Centro e de ruas próximas do aglomerado de ônibus, o trânsito ficou complicado. O aposentado José de Freitas ainda estava no meio do caminho, às 9h30, para deixar o filho na escola.

"Estamos muito atrasados. Essa greve está prejudicando toda a população. Já enfrentei muitos engarrafamentos nesses últimos dias", ressaltou ele. Também parado num congestionamento, Alcindo de Alencar reclamava que havia perdido uma audiência judicial por causa das complicações trazidas com a greve.

O início da manhã de ontem foi mais uma vez marcado pelos transtornos causados pela greve de motoristas, fiscais e cobradores no seu 16º dia no entorno dos terminais da Lagoa e de Parangaba. Os grevistas, ajudados por motoqueiros, tomaram a chave de vários ônibus que foram obrigados a parar.

Os passageiros, revoltados, tiveram que descer dos coletivos. A Polícia Militar esteve no local, mas não agiu, já que os manifestantes tinham ido embora.

O resultado foi que, em pouco tempo, dezenas de coletivos estavam parados no meio da rua. No início da Avenida Godofredo Maciel, em fila indiana, os coletivos encostavam e os passageiros desciam desolado rumo ao Terminal de Parangaba.

"Quando imaginávamos que não passaríamos por novos vexames, eis que enfrentamos um maior do que os proporcionados pelos terminais cheios", desabafou a manicure Mércia Augusta Sobreira.

Chave reserva

A ação dos grevistas ocasionou cenas inusitadas. Numa delas, o chefe de manutenção da Empresa Maraponga, entrava nos coletivos parados com três caixas repletas de chaves, para descobrir qual a que pertencia a cada ônibus.

"Estamos tendo dificuldades para encontrar a chave reserva, pois algumas delas acabaram se misturando. Afinal de contas, não é muito fácil achar uma entre quase mil", explicou o mecânico, que iniciou o trabalho por volta das 5 horas.

Quando não era possível encontrar a chave substituta, os mecânicos das empresas que tiveram seus ônibus parados recorreram ao "plano b", ou seja, efetuaram a ligação direta. Nestes casos, os coletivos tiveram que ser recolhido à garagem.

A operação "recolhe chave" refletiu diretamente no tráfego de veículos nas imediações. Várias ruas e avenidas daquela área da cidade ficaram completamente congestionadas.

Demanda

53 Por cento dos coletivos estavam parados às 6h43 de ontem. A informação é da Etufor, garantindo que das 7h10 às 9h, circularam 51% da frota

SINDIÔNIBUS SOBRE SINTRO

´Tomaram a melhor decisão´

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) considerou sensata a atitude do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro) em suspender, ontem, a greve que já durava 16 dias.

"Eles acataram uma determinação judicial e tomaram a melhor decisão de suspender a greve. Não havia como continuar causando mais prejuízos e transtornos", avaliou o advogado do Sindiônibus, Cleto Gomes.

Com relação à posição do sindicato patronal daqui para frente, ele afirmou "que, enquanto aguarda o desfecho do dissídio, a diretoria vai analisar, hoje, todo o quadro e as consequências da greve para posterior posição, como nos casos de demissões por justa causa, ressarcimento dos prejuízos financeiros ocasionados pela paralisação (dias parados, quando as empresas deixaram de faturar) e também os danos oriundos das depredações dos ônibus", acrescentou Cleto Gomes.

Dissídio

Mesmo com a suspensão por tempo indeterminado do movimento grevista por parte do Sintro, o dissídio coletivo requerido pelo Sindiônibus ao Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT-CE) seguirá indefinido por, pelo menos, até a próxima semana. Ontem, o TRT convocou o juiz Emmanuel Teófilo Furtado, da 10ª Vara do Trabalho, para acompanhar, como relator, o dissídio coletivo envolvendo o Sindiônibus (classe patronal) e o Sintro, pela categoria trabalhadora.

O juiz convocado abriu o prazo de três dias corridos para que ambos os sindicatos, que serão notificados nesta quinta-feira, façam suas defesas nas considerações finais.

Depois de analisá-las, o juiz relator formulará seu parecer que, posteriormente, será conhecido em reunião marcada pelo Pleno que julgará o dissídio coletivo da categoria.Leia mais na página 15

Fonte: Diário do Nordeste

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