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quarta-feira, 23 de junho de 2010

• ACIDENTE NO METROFOR: Engenheiro e técnico são indiciados

Um engenheiro civil e um técnico em edificações foram indiciados por homicídio culposo (quando não há dolo) e lesão corporal culposa, pelo delegado Aurélio de Araújo Pereira, titular do 34º DP (Centro), presidente do inquérito que apurou o desabamento de uma laje no primeiro pavimento da sede administrativa do Metrô de Fortaleza (Metrofor).

O acidente ocorreu no último dia 8 de maio, no canteiro de obras situado na Rua Senador Jaguaribe, no bairro Moura Brasil, e causou a morte dos operários Antônio Rafael Rodrigues Pereira, 36; e José Ventura Martins, 45. Além deles, o também operário José Wellington Apolônio, 40, sofreu politraumatismo e ainda se recupera das lesões sofridas.

Laudos

De acordo com o delegado, "foram 38 dias de um rigoroso trabalho" de investigação para identificar os reais motivos do desabamento, onde laudos foram analisados e várias pessoas ouvidas". Segundo ele, o laudo da Perícia Forense (Pefoce) e outro do Laboratório de Engenharia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), "não deixaram nenhuma dúvida de que o desabamento da laje da sede administrativa do Metrofor ocorreu pela falha do escoramento, ou seja, falha no projeto", destacou.

O titular do 34º DP afirmou que, após essa conclusão, procurou a empresa responsável pelo projeto do escoramento e a identificou. "Indiciei, com base em provas testemunhais e documentais, os senhores Francisco Gerardo Araújo, engenheiro civil; e gerente-geral da empresa, Francisco Marcelo Moreira, técnico em edificações, que é responsável pelo setor de projetos", explicou Aurélio Araújo. O inquérito seguiu para a Justiça na última segunda-feira.

O delegado assegurou ainda que, com base nos ensaios (simulações técnicas) realizados na UFPE, ficou comprovado que "a carga suportável pela escora metálica não estava de acordo com a média". Além disso, testemunhos de operários e engenheiros de outras empresas do consórcio que realizam a obra confirmaram essa versão.

Falhas

"Os engenheiros de outras empresas que fazem parte do consórcio do Metrofor não afirmaram taxativamente, mas sugeriram que ocorreu uma falha no projeto". Aurélio Araújo revelou também que, o engenheiro do consórcio que administra a obra, afirmou, em depoimento, que já havia alertado para um erro no escoramento do pavimento térreo e que se repetiu no andar superior. Segundo o delegado, os dois profissionais indiciados negaram em depoimento a existência de erro no projeto de escoramento.

Fonte: Diário do Nordeste

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